O seu site deve usar www ou não?
Usar www é uma escolha. O importante é definir um endereço oficial e fazer com que ambas as versões funcionem. Explicamos os efeitos no design, na confiança, nas ligações e nos redirecionamentos.

O seu site pode funcionar em www.example.com ou em example.com. Ambas as opções servem. Escolha uma como endereço oficial, receba quem chega a qualquer uma das duas e redirecione a outra de forma permanente para a página correspondente.
Esta é a resposta prática. Mas aqueles quatro caracteres tocam em várias coisas: o aspeto de um endereço, aquilo que as pessoas reconhecem, o que os navegadores mostram e a forma como o site funciona. O interessante é perceber qual destas decisões está a tomar.
O que faz realmente o www?
www significa World Wide Web. Num endereço de um site, é uma designação convencional que faz parte do nome do servidor, ou host. Alguém escolheu chamar www ao serviço web e essa convenção tornou-se familiar. As letras não têm nenhum poder especial para transformar um endereço num site.
Em https://www.example.com, as partes têm funções diferentes. https:// identifica a forma como o navegador se liga: através de HTTP protegido por encriptação. www.example.com identifica o host ao qual se liga. Retirar www. muda esse host. Omitir https:// num endereço impresso apenas deixa ao leitor ou ao seu programa a tarefa de completar o esquema de ligação.
É possível reconhecer um endereço de um site sem saber o que significam estas abreviaturas. Familiaridade e conhecimento técnico são coisas diferentes. Não precisamos que cada visitante passe num exame de redes antes de ler um cartão de visita.
Quatro caracteres também são uma decisão de design
Num cartaz, na assinatura de um email ou junto a um logótipo, example.com exige menos esforço visual do que www.example.com. Para um site novo, é um argumento razoável a favor da versão mais curta. Consideramos isso uma decisão de design, sem afirmar que toda a gente já reconhece qualquer terminação de domínio.
O contexto conta. Um endereço pouco habitual no meio de um texto pode beneficiar de uma indicação como «Site». Um endereço conhecido por baixo do nome da empresa pode dispensar explicações. Acrescentar www. é outra pista possível. Escolha aquilo que ajuda o leitor nessa composição concreta.
O navegador também faz as suas próprias escolhas de apresentação. As orientações do Chromium para apresentar URL descrevem a simplificação de algumas vistas através da omissão de www. O que vê depende do navegador, da versão, das definições e de estar a consultar ou a editar o endereço. Uma apresentação abreviada não significa que o site tenha mudado o seu nome de host oficial.
Ser familiar não significa ser de confiança
Ao passar os olhos por um endereço, é tentador seguir um atalho: reconhecer algo familiar, concluir que parece um site e continuar. A nossa preocupação com os caracteres desnecessários é que podem desviar a atenção do nome que merece ser lido. É uma razão para tornar os endereços legíveis. Não prova que retirar www. evite burlas.
Um site fraudulento pode usar www. Também pode usar HTTPS. A explicação do Chrome sobre a mudança do ícone do cadeado deixa clara a diferença: uma ligação encriptada não demonstra que o site do outro lado seja de confiança.
Veja o domínio real e o contexto em que recebeu a ligação. Um prefixo familiar não lhe diz quem gere um negócio nem se um pedido de pagamento é legítimo. Escolher o seu próprio prefixo é uma decisão de marca e configuração, não uma garantia de segurança.
Na ilustração abaixo, www.example.com.other-site.net pertence a other-site.net. O familiar www.example.com no início não faz desse endereço parte de example.com. Ler o nome de host completo muda aquilo que vemos.

Porque é que o texto comum se transforma em ligações?
Há um incómodo relacionado: escreve dois fragmentos de texto separados por um ponto e uma aplicação pode decidir que se referia a um site. De repente, parte do documento fica azul e pode clicar nela.
Esse comportamento pertence à aplicação. As suas regras de deteção de ligações determinam que padrões se parecem com endereços. Variam entre produtos e definições, por isso text.text não se transforma numa ligação em todo o lado. A omissão de www não criou, por si só, uma regra universal para apresentar texto.
A Microsoft documenta a função de hiperligações automáticas do Word: converte texto que se parece com um endereço sem verificar se a ligação é válida. Se a função atrapalhar, altere a definição de ligações automáticas do editor ou remova a ligação. O nome de host do seu site não vai corrigir as suposições do editor.
Dois endereços que funcionam precisam de um único destino
Para o sistema, example.com e www.example.com são hosts diferentes. Mesmo quando mostram páginas idênticas a partir do mesmo servidor, os navegadores tratam-nos como origens diferentes. Por isso, o estado da sessão ou os dados guardados no navegador podem comportar-se de forma diferente, consoante a construção da aplicação. É uma consequência possível, não uma falha automática em todos os sites.
Para um único site público, recomendamos um único destino oficial. O outro endereço continua disponível como entrada. Encaminha os visitantes em vez de apresentar uma segunda cópia independente. O guia da MDN sobre esta escolha também recomenda manter a coerência e fazer com que ambas as formas funcionem.
Para visitas normais a páginas web, um redirecionamento permanente 301 é uma forma habitual de o fazer.
O que é um redirecionamento 301?
Um redirecionamento 301 é uma resposta do servidor que indica que uma página mudou permanentemente para outro endereço. O navegador segue automaticamente o destino indicado. Neste caso, leva o visitante do nome de host alternativo para a mesma página no seu endereço oficial.
Por exemplo, se a versão curta for a oficial, quem abrir https://www.example.com/contact/ deverá chegar a https://example.com/contact/. Conserve o caminho da página e os parâmetros de consulta. Enviar todos os endereços antigos para a página inicial obriga o visitante a procurar a página outra vez.

Há um pormenor de implementação a assinalar a quem desenvolve o site: os formulários, as API e outros pedidos que enviam dados merecem uma verificação à parte. Um redirecionamento 301 pode mudar um pedido POST para GET. Quando o método e o corpo enviado têm de se manter intactos, pode ser adequado um redirecionamento que preserve o método, como o 308.
O que perguntar a quem mantém o seu site
Não precisa de configurar o servidor pessoalmente. Peça que lhe confirmem estes pontos:
- As quatro entradas funcionam: HTTP e HTTPS, com e sem
www. Todas levam ao endereço HTTPS escolhido. - Ambos os nomes de host têm certificados HTTPS válidos. O navegador tem de estabelecer essa ligação antes de poder receber um redirecionamento HTTPS.
- Os redirecionamentos levam os visitantes à página correspondente, conservam os parâmetros de consulta e evitam passos intermédios desnecessários.
- As ligações internas, o mapa do site e o endereço canónico de cada página apontam para a versão escolhida.
Este último ponto também ajuda os motores de pesquisa. O Google trata os redirecionamentos e as declarações canónicas como sinais sobre o URL que representa uma página. Uma declaração canónica orienta os motores de pesquisa; não leva o visitante para o outro endereço. Use o redirecionamento para dar às pessoas esse destino comum.
Escolha uma vez e cuide do endereço
Para um site novo, considere o endereço mais curto, o seu aspeto nos materiais da empresa e as limitações de alojamento que o fornecedor identifique. Um site estabelecido que funciona bem com www não precisa de uma migração só porque os endereços mais curtos estão na moda.
A questão com mais consequências é saber se a sua empresa consegue continuar a gerir o endereço. O nosso artigo sobre quem deve controlar o domínio da sua empresa explica essa responsabilidade.
Nenhuma das duas escolhas está errada. Escolha a forma que se adequa ao site, use-a de modo coerente e faça com que as duas formas de escrever o endereço levem as pessoas à página certa.